Fundo perdido é dinheiro que não se devolve (uma subvenção); financiamento reembolsável é dinheiro que se devolve, com ou sem juros (um empréstimo). O fundo perdido é mais vantajoso mas concorrencial e mais lento a chegar; o crédito é mais rápido e disponível, mas custa. Na maioria dos projetos, a melhor solução combina os dois.
O que é fundo perdido
O fundo perdido (tecnicamente, uma subvenção não reembolsável) é um apoio financeiro que a empresa recebe e não tem de devolver, desde que cumpra as condições do projeto aprovado. É a forma mais comum de apoio do Portugal 2030, do PRR e de várias medidas do IEFP.
A taxa de apoio (por exemplo, "60% a fundo perdido") indica a percentagem do investimento elegível que é financiada dessa forma. O restante é o esforço próprio da empresa.
O que é financiamento reembolsável
O financiamento reembolsável é dinheiro que a empresa recebe e tem de devolver. Inclui:
- Linhas de crédito (banca comercial ou Banco de Fomento), devolve-se com juros;
- Incentivos reembolsáveis, apoios públicos que se devolvem, por vezes sem juros ou com parte convertível em fundo perdido se as metas forem atingidas.
Comparação lado a lado
| Fundo perdido | Financiamento reembolsável | |
|---|---|---|
| Devolve-se? | Não | Sim (com ou sem juros) |
| Custo | Nenhum custo financeiro direto | Juros e/ou comissões |
| Rapidez | Mais lento (ciclo de candidatura e reembolso) | Mais rápido |
| Disponibilidade | Concorrencial, com dotação limitada | Disponível enquanto houver linha |
| Exigência | Candidatura com mérito e elegibilidade | Análise de risco de crédito |
| Ideal para | Investimento estruturante | Tesouraria e necessidades imediatas |
Exemplo prático: o melhor é combinar
Imagine uma empresa que vai investir 100.000€ num projeto e ganha um apoio de 60% a fundo perdido:
- 60.000€ chegam por fundo perdido, mas só depois de executar e reportar o investimento;
- 40.000€ são esforço próprio;
- O problema: a empresa precisa de ter os 100.000€ disponíveis primeiro, porque o reembolso vem depois.
É aqui que o financiamento reembolsável entra: um crédito (ou um adiantamento do incentivo) cobre a tesouraria durante a execução, e o fundo perdido consolida no fim. As duas coisas não competem, completam-se.
Como decidir
- Para o investimento (equipamentos, obras, software), procure primeiro fundo perdido; é a opção mais vantajosa;
- Para tesouraria e fundo de maneio, o crédito é normalmente o caminho;
- Para executar enquanto espera pelo reembolso, crédito de curto prazo ou adiantamento do incentivo;
- Se o aviso de fundo perdido estiver fechado, pondere o crédito agora e prepare a candidatura para o próximo aviso.
Erros frequentes
- Achar que fundo perdido "paga tudo", financia uma percentagem; o resto é esforço próprio;
- Não contar com o desfasamento de tesouraria, o apoio chega depois do investimento;
- Recorrer só a crédito quando havia fundo perdido disponível, pagar juros sobre algo que podia não se devolver;
- Fazer despesa antes de submeter a candidatura ao fundo perdido, torna-a inelegível.
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Qual é a diferença entre fundo perdido e financiamento reembolsável?
O fundo perdido não tem de ser devolvido, é um subsídio; o financiamento reembolsável é um empréstimo que se paga, normalmente em condições mais favoráveis do que o crédito bancário.
Qual é melhor para a minha empresa?
Depende do projeto e da tesouraria. O fundo perdido é mais vantajoso, mas costuma cobrir só parte do investimento; o reembolsável ajuda a financiar a parte restante. Muitas vezes combinam-se.
Posso combinar os dois?
Sim, e é frequentemente a melhor solução: usar o fundo perdido para baixar o custo do projeto e o financiamento reembolsável para garantir a tesouraria.